As orações Sobre as oferendas e Depois da comunhão  Domingos da Quaresma

As orações Sobre as oferendas e Depois da comunhão 

Domingos da Quaresma

 

Introdução ao estudo

 

Dom Jerônimo Pereira, osb

 

A missa romana, já no século V, encontrava-se ritmada por três procissões na direção do altar: a procissão introitorial, com a entrada solene dos ministros, acompanhada pelo canto Ad Introitum, concluída por uma oração, mais tarde chamada Collecta; a procissão ofertorial por parte dos fiéis, acompanhada pelo canto da Antiphona ad offertorium, concluída com a Secreta ou Oratio super oblata; a procissão para a comunhão, também essa acompanhada pelo canto Ad communionem, concluída pelas orações Post-communionem ou Ad complendum e pela super populum. Já tendo tido a oportunidade de me ocupar do estudo das Coletas e das Orações sobre o povo dos domingos da Quaresma, esse ano, gostaria de estudar, juntamente com os meus leitores, as outras duas restantes, com o objetivo de se chegar a uma visão completa dos formulários das missas dominicais desse “tempo favorável”. Esse texto serve de introdução geral.

 

Bibliografia

 

Barba M., La riforma conciliare dell’«Ordo Missae». Il percorso storico-redazionale dei riti d’ingresso, di offertorio e di comunione. Nuova edizione totalmente rivista, ampiamente integrata e diffusamente aggiornata. Roma: CLV – Edizioni Liturgiche, 2008.

Jungmann J. A., Missarum Sollemnia. São Paulo: Paulus, 2009.

Raffa V., Liturgia eucaristica.  Mistagogia della Messa: dalla storia e dalla teologia alla pastorale pratica. Nuova edizione ampiamente riveduta e aggiornata secondo l’“editio typica tertia” del Messale Romano. Roma: CLV-Edizioni Liturgiche, 2003.

Righetti M., Manuale di storia liturgica, III: L’eucaristia. Milano: Marietti, 1966.

 

1. O diálogo introdutório

 

A Oração sobre as oferendas, que se coloca entre o lavabo e o Prefácio, é introduzida por um diálogo horizontal no qual o celebrante principal invoca a oração dos irmãos e irmãs para que ele, suportado pelas preces dos fiéis, possa oferecer o sacrifício comum. O seu escopo, certamente, é o de expressar a dimensão comunitária/eclesial do sacrifício eucarístico, enfatizando que o mesmo é oferecido por toda a Igreja, unindo ao único sacrifício de Cristo.

A notícia mais antiga de um pedido de oração nesse momento da parte do celebrante principal encontra-se no Ordo Romanus XVII, um Ordo, de tipo monástico, redigido na França entre os anos 775-800. O Ordo diz simplesmente que o sacerdote pede aos que estão à direita e à esquerda que rezem por ele: “Tunc vero sacerdos dextera levaque aliis sacerdotibus postulat pro se orare” (n. 45).

O diálogo, propriamente dito, assumiu fórmulas diferentes dependendo do lugar e do tempo. O texto atual é quase idêntico ao do sacramentário de Amiens (n. 56-57), do século IX[1].

Inde (o sacerdote) uertat se ad populum, dicens 

(Então (o sacerdote) se volta para o povo e diz)

 

Orate fratres ut uestrum partiter et nostrum sacrificium acceptabile fiat deo.

(Orai, irmãos, para que o vosso sacrifício, tanto vosso como nosso, seja agradável/aceitável a Deus).

 

Et respondet populus

(E o povo responde)

 

Sit dominus in corde tuo et in labiis tuis et recipiat sacrificium sibi acceptum de ore tuo et de manibus tuis pro nostrorum omnium salute.

(Que o Senhor esteja em teu coração e em teus lábios, e que Ele receba da tua boca e das tuas mãos o sacrifício que lhe seja agradável para a salvação de todos nós).

 

Para a liturgia romana, encontramos a resposta do povo no Ordo da Cúria, durante opontificado de Honório III(papa entre os anos de 1216 e 1227)[2]. Do Ordo da Cúria passou para o Missal impresso de 1474, ligeiramente modificada e não mais destinada ao povo, mas aos ministros. Daí para o Ordo de Giovanni Burcardo de 1502 e depois para o Missal de Pio V (1570), com suas edições sucessivas, até à sua forma atual, no Missal da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II (1970/1975/2002/8), com poucas mudanças.

 

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1570MR: Postea osculat altare et, versus populum dicit:

1962MR: Postea osculatur altare et, versus ad populum, extendens et iungens manus, você paululum elevata, dicit:

 

1570/1962MR: Orate, fratres: ut meum ac vestrum sacrificium acceptabile fiat apud Deum Patrem omnipotentem.

 

1570MR: Circumstantes respondent: alioquin ipsemet sacerdos:

1962MR: Minister, seu circumstantes respondent: alioquin ipsemet sacerdos:

 

1570/1962MR: Suscipiat Dominus sacrificium de manibus tuis (vel meis) ad laudem et gloriam nominis sui, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiae suae sanctae (1570MR: Amen).

 

(1962MR): Sacerdos submissa voce dicit: Amen.

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1970/2008MR:

 

Stans postea in medio altaris, versus ad populum, extendens et iungens manus, dicit:

 

Oráte, fratres: ut meum ac vestrum sacrifícium acceptábile fiat apud Deum Patrem omnipoténtem.

 

Populus surgit et respondet:

 

Suscípiat Dóminus sacrifícium de mánibus tuis ad laudem et glóriam nóminis sui,
ad utilitátem quoque mostram totiúsque Ecclésiæ suæ sanctæ.

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            A tradução da terceira edição do Missal apresenta algumas pequenas mudanças para se adequar melhor ao texto latino. Já desde a tradução e publicação da segunda edição do Missal para o Brasil que à forma típica/standard do convite à oração foi enriquecido com três outras fórmulas opcionais, tomadas do Missal italiano:

 

1993MR: No meio do altar e voltado para o povo, estendendo e unindo as mãos, o sacerdote diz:

2023MR: Estando, depois, no meio do altar e voltado para o povo, o sacerdote estende e une as mãos e diz:

 

1993MR: Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.

2023MR: Orai, irmãos e irmãs, para que o meu e vosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.

 

O:u

1993/2023MR: Orai, irmãos e irmãs, para que esta nossa família, reunida em nome de Cristo,

possa oferecer um sacrifício que seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.

 

Ou:

1993MR: Orai, irmãos e irmãs, para que, levando (portando) ao altar as alegrias e fadigas de cada dia, nos disponhamos a oferecer um sacrifício aceito por Deus Pai todo-poderoso.

2023MR: Orai, irmãos e irmãs, para que, trazendo ao altar as alegrias e fadigas de cada dia, nos disponhamos a oferecer um sacrifício aceito por Deus Pai todo-poderoso.

 

Ou:

1993/2023MR: Orai, irmãos e irmãs, para que o sacrifício da Igreja, nesta pausa restauradora na caminhada rumo ao céu, seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.

 

1993MR: O povo responde:

2023MR: O povo se levanta e responde:

 

1993MR: Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome,

para nosso bem e de toda a santa Igreja.

2023: Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome,

para nosso bem e de toda a sua santa Igreja.

 

            As pequenas mudanças presentes tanto nas rubricas quanto nos textos aproximaram a tradução do original latino, o que não aconteceu com o texto italiano. No entanto, surge o ponto de interrogação se a tradução precedente do texto latino do convite à oração não seja mais fiel ao “espírito” do sujeito celebrante. O automatismo por parte do presidente pode fazê-lo introduzir indevidamente um artigo definido na fórmula (o meu e o vosso sacrifício) modificando-lhe o sentido teológico.

 

2. A Oração sobre as oferendas

 

Secreta ou super oblata, justamente traduzidos por Oração sobre as oferendas, são dois títulos que denotam a mesma função, única e contemporaneamente dupla, da oração que tem por objetivo apresentar as dádivas a Deus para a oferta sacrificial. Trata-se de uma oração pronunciada pro causa dos dons que a comunidade “separou” (secreta) ou, em todo caso, rezada sobre os elementos separados, apresentados e oferecidos (super oblata) para o sacrifício eucarístico, cujo objetivo é pedir a Deus que aceite os dons oferecidos e os transforme espiritualmente para benefício dos fiéis. 

 

2.1. Secreta

 

O chamado Sacramentário Veronense (romano do sec. VI) não tem um nome para essa oração. O Sacramentário Gelasiano Vetus (romano séc. VI/VII) e o Missal de Bobbio (século VIII) chamam-na de Secreta. Assim, de modo geral, apresenta-se nominada nos Gelasianos do séc. VIII e nos vários Sacramentários e Missais dos séculos seguintes. Essa denominação perdurou na liturgia romana nos missais de Pio V chegando até à sua última edição de 1962.

O nome Secreta, deriva, muito provavelmente, do fato de se ter começado a recitar essa oração submissa voce, como já explicou Amalário de Métis († 850). Parece que o primeiro documento a atestar a recitação silenciosa dessa oração é o Ordo XV, 35, de meados do século VIII, situação se reflete nos documentos do séc. VIII/IX e seguintes.

 

Tunc pontifexinclinato vulto in terra, dicit orationem super oblationem, ita ut nullus praepter Deum et ipse audiat, nisi tantum per omnia secula saeculorum.

 

(Então, o pontífice, inclinando o rosto para o chão, recita a oração sobre a oferta, de tal modo que ninguém precise ouvir a não ser Deus e ele mesmo, exceto, apenas, por todos os séculos dos séculos).

 

2.2. Super oblata

 

O Sacramentário Gregoriano (sec. VIII) utilizou o nome Super oblata, que foi retomado por alguns Ordines, como o Ordo XV,35 (citado acima) do século VIII e V, 58 do século X. Esse último foi incluído no Pontifício Romano-Germânico, que nascia naquele mesmo século: 

 

dicta oratione super oblationes secreta et episcopo alta voce incipiente: Per omnia secula seculorum,

 

(dita a oração sobre as ofertas de modo secreta, o bispo começa em voz alta: por todos os séculos dos séculos).

 

Para a atuação da Sacrosanctum Concilium, a Santa Sé publicou uma série “Instruções para a correta Execução da Constituição Conciliar sobre a sagrada Liturgia”. A primeira delas intitulada Inter Oecumenici foi publicada ainda pelo Consilium, no dia 26 de setembro de 1964, que suprimiu o sigilo da recitação da fórmula, que hoje se chama Oratio super oblata, como no sacramentário gregoriano

 

IO 48 e): Oratio secreta seu super oblata, in Missis in cantu cantetur, in aliis elata voce dicatur.

 

(A secreta, ou oração sobre as oferendas, nas Missas cantadas, seja cantada, e, nas outras, seja pronunciada em voz alta).

 

2.3. Origem 

 

Os escritos dos Padres da Igreja e documentos litúrgicos antigos, como a Traditio Apostolica (séc. III), falam de bênçãos dos alimentos e, em alguns casos, aparece o termo oratio oblationis (oração da oferta). Com o primeiro caso não se pode afirmar que existia uma oração específica para esse momento preciso e, no segundo caso, é unanime que tal expressão se referia à Oração eucarística. Em todo o caso, o supracitado Sacramentário Veronense (século V/VI) já tem toda uma série de orações sobre as ofertas, mesmo que não lhes dê qualquer título. Segundo estudos de alguns liturgistas, várias destas fórmulas remontam a papas como Leão Magno (440-461) e Gelásio I (492-496), e portanto, neste caso, poderiam remontar ao século V.

 

2.4. Estrutura

 

A descerimoniosa invocação dirigida ao Pai, honrado com apelativos simples, geralmente sem desenvolvimento, é seguida de um ou mais pedidos, que por vezes pode incluir a súplica da intercessão da Virgem ou do santo em cuja memória celebra-se a eucaristia. A intenção geral dos pedidos é para que, juntamente com a oferta dos sinais sacrificiais, seja aceite a oferta da vida do fiel, como passo obrigatório para alcançar a recompensa eterna. A oração, mais simples e linear que a Coleta, gira em torno de uma petitio, muitas vezes acompanhada de uma explicação argumentativa introduzida pelo pronome relativo ou pela locução conjuntiva adverbial final para que (ut, em latim). Tal estrutura literária, porém, se coloca sempre a serviço da explicação teológica do sacrifício.

 

2.5. Temas teológicos 

 

Os principais temas teológicos dessas orações são basicamente dois, a saber, a aceitação e a santificação das oferendas e os seus “efeitos espirituais”. Nelas esses temas se entrelaçam a ponto tal de revelar a dimensão intersubjetiva, própria de toda ação litúrgica e dos ritos ofertoriais, de modo especial. Os temas centrais fazem referência àquele “Sacrifício agradável a Deus” que, correspondendo a “um espírito contrito; um coração arrependido e humilhado” (cf. Sl 50,19), oferecido “Desde o nascer do sol até o seu ocaso, em todo lugar”, se torna “sacrifício puro” (cf. Ml 1,11) na “mundaneidade” da matéria criada ou reelaborada pelo homem (“fruto da terra e do trabalho humano”). No dizer de São Paulo “Oferecei os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual” (Rm 12,1).

Para os Padres da Igreja, como Irineu de Lião († 202), foi o próprio Senhor a ensinar que “a oblação da Igreja deve ser oferecida com pureza e ação de graças” para que tal dádiva se tornou uma dádiva ainda maior, “o corpo e sangue de Cristo” (Contra as heresias IV,18,4). Para Cipriano (†258), bispo de Cartago, não pode haver eucaristia sem essa oferenda humana do pão e do vinho que, quando apresentados, são transformados, por meio da oração, “naquilo que nos alimenta espiritualmente” (Epistola 63). Também Santo Agostinho recorda que fomos unidos “ao sacrifício de Cristo para sermos transformados nele” de modo tal que na eucaristia o que oferecemos é Cristo, mas também nós mesmos” (Sermão 227). Esse último acento revela a profunda dimensão eclesiológica dessa prece.

            A atual legislação ensina (IGMR 77):

 

Depositadas as oferendas sobre o altar e terminados os ritos que as acompanham, conclui-se a preparação dos dons e prepara-se a Oração Eucarística com o convite aos fiéis a rezarem com o sacerdote e com a oração sobre as oferendas.

Na Missa se diz uma só oração sobre as oferendas, que termina com a conclusão mais breve, isto é: Por Cristo, nosso Senhor;se, no final, se fizer menção ao Filho, a conclusão será: (Ele) Que vive e reina pelos séculos dos séculos. O povo, unindo-se à oração, a faz sua pela aclamação Amém.

 

3. Oração depois da comunhão

 

A Oração depois da comunhão, juntamente com Bênção final e a Despedida, constituem os pontos de ligação entre o rito celebrado (lex orandi) pela Igreja, por meio da mediação crística no Espírito Santo (lex credendi), e a vida cristã (lex vivendi). As duas últimas sequências rituais pertencem aos ritos finais dispersivos, com força centrífuga (ritos de saída), e estão em estreita relação aos ritos iniciais que têm força centrípeda, como ritos de entrada. Ambos estão ligados pelo mesmo elemento arquitetônico simbólico da porta, imagem de Cristo: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10,9). A Oração depois da comunhão é ponto de ligação entre os ritos de comunhão e os ritos de “dispersão comunitária”.

 

3.1. História

 

O testemunho mais antigo de uma oração depois da comunhão eucarística nos vem das Constituições Apostólicas (Oriente 380). Era previsto uma longa oração cujo conteúdo era, antes de tudo, rendimento de graças a Deus pelo dom da eucaristia e, depois, súplica por várias categorias de pessoas.

Não se sabe quando precisamente foi introduzida na liturgia romana. Fato é que do Sacramentário Veronense em diante todos os livros a preveem regularmente. Enquanto o Veronense não lhe dá nenhum nome, o Gelasiano a denomina Post communionem, enquanto oração recitada pelo celebrante principal depois do sintagma da comunhão eucarística. O Gregoriano a chama Ad completa, com um caráter conclusivo, no sentido de coroamento da sequência ritual da comunhão. Na descrição da Missa romana, reportada pelo Ordo Romanus I, ela é denominada Oratio ad complendum(OR I,123). Nos livros sucessivos aos Sacramentários prevaleceu o título gelasiano que, de certa forma, liga o nome ao rito apenas concluído.

Seguindo essa mesma linha interpretativa se coloca a IGMR 89 “Para completar a oração do povo de Deus e encerrar todo o rito da Comunhão, o sacerdote profere a oração depois da Comunhão, em que implora os frutos do mistério celebrado”.

 

3.2. Características gerais

 

A Oração depois da comunhão faz referências abundantemente genéricas à eucaristia já celebrada, mais especificamente à comunhão eucarística, enquanto já realizada. Geralmente supõe que a comunhão foi feita sob as duas espécies. Segundo o quanto aparece no Missal Romano, não se configura como uma “ação de graças”, mas sim uma espécie de prece de súplica para que o sacramento recebido produza os frutos pertinentes à participação na inteira celebração eucarística, especialmente pela manducação do pão eucarístico. Trata-se, na verdade, de uma nova epiclese de comunhão, prevalentemente de tipo convivial. Usando uma linguagem geralmente inspirada na Sagrada escritura, essa prece traz à tona os temas sobre os benefícios da participação convivial, tratando não somente da esfera espiritual (perdão dos pecados, vida eterna), mas também, às vezes, física.

 

 

 

3.3. Estrutura

 

A fórmula atual da Oração depois da comunhão segue um arquétipo mais ou menos fixo que compreende quatro elementos: 1. Uma Invocação, muito sóbria e, geralmente, sem desdobramentos, 2. Um Pedido para que os frutos/efeitos da celebração dos divinos mistérios permaneçam nos fiéis que deles participaram ativamente, 3. uma Conclusão Trinitária breve e 4. A confirmação da assembleia (Amém). Muito raramente encontramos uma expressão de ação de graças.

A IGMR 89 esclarece:

 

Na Missa se diz uma só oração depois da Comunhão, que termina com a con-

clusão mais breve, ou seja:

- se for dirigida ao Pai: Por Cristo, nosso Senhor;

- se for dirigida ao Pai, mas no fim se fizer menção do Filho: (Ele) Que vive e

reina pelos séculos dos séculos;

- se for dirigida ao Filho: Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.

O povo, pela aclamação Amém, faz sua a oração.

 

3.4. Teologia

 

Teologicamente, a Oração depois da comunhão coloca em evidência o prolongamento do aspecto convivial. Para tanto recorre aos termos da eucaristia como pão, alimento, vigor, medicina, cura, viático no caminho da santidade, sustento, graça para o cumprimento dos preceitos divinos, fortaleza etc. Doutra parte, faz sobressair uma inteira gama dos benefícios eucarísticos eclesiológicos: unidade, caridade, concórdia etc., expressando melhor o escopo da eucaristia: “para que comendo deste pão e bebendo deste cálice, NOS tornemos EM Cristo, um só corpo e um só espírito”. 

A Oração também pede a permanência em Cristo e a conformação a ele por meio da Eucaristia que é apresentada como um alimento que sustenta o crescimento espiritual. Implora também a fortaleza na fé e na caridade e, de modo abundante, a purificação do coração. Frequentemente liga a participação na Eucaristia à missão no mundo, sublinhando a sua dimensão missionária.

            Os fiéis, nutridos com os sacramentos pascais (Depois da comunhão, Vigília pascal) no “agora” ritual, acolhem a graça mediante a figura, a prefiguração daquela docilidade que ainda não foi experimentada toda inteira, mas que o será na vida eterna, na verdade da vida bem-aventurada, quando tirado o véu da mediação que no presente revela e esconde, contemporaneamente.

 

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