Os meses temáticos agosto, setembro e outubro, estão ligados às três primeiras dimensões das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – o mês de agosto, à Primeira Dimensão chamada Comunitário-Participativa que traz na sua essência os ministérios e também a pastoral vocacional; o mês de setembro, à Dimensão Bíblico- Catequética com todas as exigências que a Palavra de Deis traz para a pastoral, para a catequese e para a sagrada Liturgia e o mês de outubro se liga à Dimensão Missionária da Igreja e nos motiva para a seriedade da vida missionária, critério ímpar para se viver o cristianismo. No mês de agosto, a Igreja renova o chamado de Deus a todos nós que nos quer pessoas realizadas; em setembro, está presente a necessidade da Palavra de Deus para o nosso discipulado. Não há como anunciar Cristo, que está presente na santa Palavra de Deus, sem nos apaixonarmos pelas maravilhas contidas nesta Palavra. Aliás, esta Palavra deve se corporificar, porque o próprio Cristo nela se encontra; no mês de outubro, a Igreja bate na consciência de cada discípulo recordando-o da necessidade que ele tem de ser missionário.
Como estes meses temáticos que se desenvolvem, principalmente, nas celebrações eucarísticas dominicais do Tempo Comum, não podemos deixar de pensar que estes Domingos sejam desprovidos de fortes conteúdos. A Igreja não celebra temas, e sim mistérios e o Domingo traz a totalidade do Mistério Pascal por ser ele a Páscoa semanal dos Cristãos e nos remete à certeza de que Cristo “vencendo a corrupção do pecado, fez uma nova criação” (Prefácio da Páscoa IV). Esta criação restabelece sua identidade primitiva e celebra, semanalmente, no Domingo, a grande festa de sua recriação.
Dias e meses temáticos, com certeza, não fazem parte do calendário das celebrações litúrgicas. Jamais sobrepõem ao Domingo e o Mistério celebrado. Alguns exemplos: domingo das comunicações sociais, dia da Bíblia, dia das missões e tantos outros. O Domingo é festa magna que concentra o fato máximo da nossa Redenção. Os grandes temas podem e devem ser lembrados nas celebrações dominicais sem jamais substituírem ou sobreporem a espiritualidade, o fato, a teologia subjacente e as maravilhas próprias do Domingo, dia exclusivo de Jesus. A mãe Igreja, assistida pelo Espírito Santo, na sua sublime pedagogia, celebra, no Domingo, alguns acontecimentos que estão em íntima conexão e sublime identidade com o Mistério Pascal, como por exemplo, o dogma da Assunção, São Pedro e São Paulo, Todos os Santos, quando o dia de finados for Domingo.
Quando algum evento importante precisar ser celebrado no Domingo, não é mais sensato inseri-lo na celebração dominical sem ferir e sem substituir a riqueza contida na Sua Liturgia própria? É muito sério ficar “mexendo” no Domingo.
Monsenhor João Alves Guedes
Foto: Marco Rupnik