UM CAMINHO QUARESMAL “POR MEIO DAS PRECES” A ORAÇÃO COLETA DO IV DOMINGO DA QUARESMA

UM CAMINHO QUARESMAL “POR MEIO DAS PRECES”

A ORAÇÃO COLETA DO IV DOMINGO DA QUARESMA

 

O IV domingo da Quaresma, chamado Laetare, se diferencia dos outros domingos por causa do seu caráter de festiva alegria. O nome desse domingo – Laetare – vem da primeira palavra da Antífona da entrada (Is 66,10: Laetamini cum Ierusalem et exultate in ea omnes qui diligitis eam; gaudete cum ea gaudio universi qui lugitis super eam - Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais! Cheios de júbilo, exultai de alegria, vós que estais tristes, e sereis saciados nas fontes da vossa consolação). 

Com Santa Helena (Flávia Júlia Helena - †330), a mãe do imperador Constantino I (†337), a parte do palácio Sessoriano[1] situada dentro dos muros da cidade de Roma tornou-se, no começo do IV século, residência imperial. A cidade de Roma desejava ter uma relação “direta” com a igreja do Gólgota em Jerusalém, então a imperatriz converteu um dos salões do palácio numa basílica para abrigar uma relíquia da verdadeira cruz que ela mesma transportara da terra santa. A basílica passou a ser chamada mais tarde de Santa Cruz de Jerusalém. Essa basílica, na antiguidade, era indicada como a igreja estacional destinada à celebração papal do IV domingo da Quaresma, daí a escolha desse “canto de entrada”, onde os presentes, distantes fisicamente de Jerusalém, são por três vezes convidados a alegra-se com Jerusalém.

Na celebração desse domingo pode usar o rosa como cor litúrgica dos paramentos, permite-se o toque dos instrumentos musicais e uso de flores para adornar o altar. E ainda mais, “Neste domingo celebra-se o segundo escrutínio em preparação ao batismo dos catecúmenos que na Vigília pascal serão admitidos aos sacramentos de iniciação cristã. Rezam-se as orações e intercessões próprias”, adverte a rubrica que abre o formulário. 

O uso da cor rosa no Rito Romano foi introduzido por São Pio V († 1572). Em Bizâncio, no terceiro domingo da Quaresma, celebrava-se uma festa em honra do santo lenho da cruz, que homenageada com a oferta de rosas. Em Roma procurou-se imitar e adaptar tal costume, transferindo-o, todavia para o IV domingo, visto que o Papa, como já dito, nesse dia celebrava na igreja estacional da Santo Cruz em Jerusalém. O papa dirigia-se processionalmente à igreja levando em sua mão uma rosa de ouro perfumada em sinal da paixão e ressurreição do Senhor, com a qual se desejava fazer à relíquia o mesmo gesto de gratidão que fez Maria Madalena perfumando os pés de Jesus na ceia de Betânia. Para alguns historiadores da liturgia, o uso do rosa viria desse evento conhecido como “a bênção da rosa de ouro”[2]

A cor rosa é a cor púrpura, usada como prelúdio da alegria das festas pascais, tanto para os catecúmenos quanto para os fiéis[3]. Ela significa um “amortecimento” da penitência simbolizada pelo roxo. Tem como fim dar uma nota de esperança às proximidades com a Páscoa do Senhor.

A Coleta desse IV domingo não faz nenhuma referência direta ao tema da alegria, mas implícita, como veremos a seguir, todavia, em contrapartida, a Coleta opcional para a Missa do segundo escrutínio fala da alegria espiritual da Mãe igreja que acolhe no seu seio os filhos renascidos pelo batismo:

 

Omnipotens sempiterne Deus, Ecclesiam tuam spiritali iucunditate multiplica, ut qui sunt generatione terreni, fiant regeneratione caelestes[4].

 

Deus eterno e todo-poderoso, fazei crescer a vossa Igreja na alegria espiritual a fim de que os nascidos para a vida na terra renasçam para a vida no céu.

 

A COLETA

 

Aproxima-se o dia da Páscoa, o dia que o Senhor fez para nós, dia de júbilo e de alegria que a Mãe Igreja não pode conter para si, somente no seu coração, por isso deseja extravasar para todos os seus filhos. E o faz esse domingo não somente por meio das antífonas e dos salmos, mas também da Coleta que se apresenta cheia de entusiasmo e exaltada ternura. A sua áurea nos transporta aos últimos dias do Advento, quando o Senhor está golpeando com as suas santas mãos as portas da Igreja em oração e essa mesma Igreja nos ensina a rezar assim: “Derramai, ó Deus, em nossos corações a vossa graça, para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição” (Col. IV Dom. Adv).

Agora, às portas da Páscoa, a Igreja ora com júbilo e suplica a graça de percorrer esses últimos dias com o coração dilatado; e o faz com a primeira prece desse IV domingo da Quaresma. O texto latino da coleta, presente no monumental Corpus orationum,, n. 1998[5], no Missl Romano editio typica tertia (MR3) 2008[6] se apresenta da seguinte forma:

Deus, qui per verbum tuum humani generis reconciliationem mirabiliter operaris, presta, quaesumus, ut populus christianus prompta devotione et alacri fide ad ventura sollemnia valeat festinare.

 

Não tendo passado por nenhuma espécie de reformulação, essa oração se apresenta da mesma forma como foi recebida do MR3 2000 (p. 240); que, por sua vez, tinha sido recebida pelo MR editio typica altera 1975 (p. 208) [7], de onde vem a atual tradução para o Brasil (1991); que a recebera do MR editio typica de 1970 (p. 208)[8]. No nosso Missal encontramos a da seguinte tradução:

 

Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam cheio de fervor e exultando de fé. 

 

Apresentamos, com o escopo de estudo uma tradução mais literal:

Ó Deus, que por vossa Palavra operais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão a capacidade de apressar-se na direção das solenidades (pascais) que se aproximam, com redobrada devoção e com fé operosa.

SOBRE A SUA PROCEDÊNCIA E DISCURSO SOBRE AS FONTES

A Coleta desse IV domingo é de nova “composição”. Por composição aqui entendemos um sistema de bricolagem operado pelos compiladores da reestruturação do Missal Romano no imediato pós-Concílio Vaticano II.

A parte anamnética (Deus, qui per verbum tuum humani generis reconciliationem mirabiliter operaris) vem da tradição presbiteral (gelasiana), precisamente do Sacramentário Gelasianum Vetus, do sétimo século (GeV 178: I, XXV), indicada como Oração (do dia) da quarta-feira da segunda semana da Quaresma (Feria quarta, Ebdomada II, [Oratio]):

Deus, qui per uerbum tuum humani generis reconciliationem mirabiliter operaris, presta, quaesumus, ut sancto ieiunio et tibi toto simus corde subiecti et in tua nobis [Gell + SGall: nos] efficiamus [Eng + SGall: in tua nos efficiamus] [Gell: semper efficiamus] praece concordes: per dominum

 

No processo de galicanização da liturgia romana, do século VII em diante, a oração passou para os Sacramentários tipicamente galicanos: o Engolismense (Eng 383: LXV. [In Quadragesima], Feria IIII, Ebdomanda seconda, [Oratio]) [9]; o Gellonense (Gell 368: LXII (67). [In Quadragesima], Ebd[omanda] II, Fer[ia] IIII ad s[an]c[t]a[m] Caeciliam, [Oratio]) [10]; o Augustodinense (Aug 373: LXVI. [In Quadragesima], Feria IIII ad sanctam Caeciliam Ebdomanda II, [Oratio])[11]; o Sangallense[12] (SGall 335: 63. [In Quadragesima], [Die Dominica vacat], Feria IIII ad sanctam Caeciliam [Oratio]) e parao o Sacramentário (ambrosiano) Bergomense (Berg 1448: Missa in tempore ieiunii, Collecta)[13].

         No processo de galicanização a Oração se manteve tanto na sua posição (Oratio/Coleta), quanto na sua localização (quarta-feira da II semana da Quaresma). “Exceção” para a indicação do Sacramentário Bergomense. 

Todavia, os compiladores não descartaram a parte epiclética da oração gelasiana, mas a [re]utilizaram como fonte da última parte da coleta para quarta-feira da III semana:

 

Praesta, quaesumus, Domine, ut per quadragesimalem observantiam eruditi et tuo verbo nutriti, sancta continentia tibi simum toto corde devoti [subiecti], et in oratione [prece] semper tua [nobis] efficiamur concordes.

 

Concedei-nos, Senhor, que, instruídos pela observância quaresmal e nutridos pela vossa palavra, nos dediquemos a vós de todo o coração na prática da santa continência e perseveremos unidos na oração.

 

Para a parte epiclética (presta, quaesumus, ut populus christianus prompta devotione et alacri fide ad ventura sollemnia valeat festinare), a Coleta foi completada com a ajuda de frases retiradas, ao que parece, do segundo sermão para a Quaresma de São Leão Magno († 461): 

 

[...] dignumque est ut populus christianus in quantacumque abstinentia constitutus, magis desideret se Dei verbo quam cibo satiare corpóreo, prompta devotione et alacri fide suscipiamus solemne ieiunium, non in sterile inedia, quam plerumque et imbecillitas corporis et avaritiae morbus indicit, se in larga benevolentia celebrandum.

 

[...] Convém ao povo cristão, em qualquer grau de abstinência que seja estabelecido, desejar alimentar-se mais da palavra de Deus do que pelo alimento material. Abracemos, pois, este solene jejum com redobrada devoção e com fé operosa, celebrando-o não como dieta estéril, como o exigem frequentemente a fraqueza do corpo e a doença da avareza, mas com larga benevolência[14]

 

Essa última parte também evoca um versículo da multiplicação dos pães (Jo 6,1-15) que, segundo uma antiga tradição, se lia nesse domingo: “Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus” (Jo 6,4) – “concedei ao povo cristão apressar-se na direção das solenidades (pascais) que se aproximam” (MR 1970/2008).

Além da frase colhida do sermão leonino, a Coleta revela um forte enraizamento na doutrina quaresmal do papa Leão. Num outro sermão quaresmal observa-se o mesmo movimento através de uma seção de raciocínio teológico que condiciona a prática do jejum ao objetivo final: as festividades da Páscoa:

 

Caríssimos: entre todos os dias do ano que a piedade cristã homenageia, de formas variadas, não existe nenhum que seja mais importante do que a festa pascal, porque esta consagra na Igreja de Deus a dignidade de todas as solenidades. Pois, mesmo que o Senhor tenha nascido de uma mãe, tinha por fim este sacramento; nem foi outra a causa do nascimento do Filho de Deus, senão a de sofrer na cruz. No seio da Virgem, com efeito, recebeu carne mortal: nesta carne mortal completou-se a disposição da paixão; assim aconteceu por inefável desígnio da misericórdia divina que ela foi para nós um sacrifício redentor, abolição do pecado e primícias de ressurreição para a vida eterna. Considerando o que o universo recebeu pela cruz do Senhor, reconheceremos que, para celebrar o dia da Páscoa, é justo nos prepararmos pelo jejum de quarenta dias, a fim de poder participar dignamente dos santos mistérios[15]

ANÁLISE DA ESTRUTURA

 

A Igreja deseja correr ao encontro das solenidades pascais que se aproximam, porque tem consciência de que nelas se atuam todos os desígnios de salvação escondidos em Deus desde a eternidade; por isso a prece gira em torno do tema paulino da reconciliação da família humana com Deus, o Pai, por meio da sua Palavra, Jesus Cristo, que se fez carne. 

Em bora a estrutura de toda Coleta seja composta por cinco elementos (invocação, anamnese, epiclese (pedido + finalidade do pedido), conclusão e aclamação da assembleia), analisaremos apenas as partes anamnética e epiclética.

ANAMNESE

 

A Coleta se abre com uma invocação simples e passa, imediatamente à parte anamnética, com um enunciado tipicamente cristológico: “por vossa Palavra (Filho) realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano”. Interessante observar como a oração se expressa de maneira contemporânea: o verbo opero (realizar) está no presente do indicativo (operaris), porque se faz memória de uma constante realização da obra salvadora de Cristo que abraça a humanidade toda, de todos os tempos. O evangelista João, de fato, registra a palavra de Jesus que diz: “Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também” (5,17), indicando que a obra salvadora de Cristo, que tem o seu ponto culminante no seu mistério pascal prosseguirá por meio da sua Igreja, pois, “assim como Jesus Cristo foi enviado pelo Pai, ele enviou os seus Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não apenas para pregar o Evangelho a todas as pessoas (Mt 16,15) anunciando que o Filho de Deus, por sua morte e ressurreição, nos libertou do poder de Satanás (At 26,18) e da morte, e nos introduziu no Reino de Deus Pai, mas também, para que realizassem por meio do Sacrifício e dos Sacramentos, em torno dos quais gira toda a vida litúrgica, a obra da salvação que proclamavam” (SC 6).

Sacrosanctum Concilium, citando o antigo Sacramentário Veronense (VI século), afirma: “Com efeito, sua humanidade (de Cristo), unida à pessoa do Verbo, foi instrumento da nossa salvação, pois ‘em Cristo se dá nossa perfeita reconciliação com Deus é concedida a plenitude do culto divino’ ” (SC 5)[16]. Assim evidencia a estreita relação entre o mistério do Natal e as solenidades pascais. O nascimento do Salvador trouxe luminosa alegria aos que estavam sentados à sombra da morte (cf. Lc 1,79), pois ele apareceu no mundo como a única vitima capaz de agradar a Deus e expiar todos os pecados do gênero humano, conforme se ler na carta aos Hebreus (10,5-7): “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então, eu disse: Eis que venho, porque é de mim que está escrito no rolo do livro, venho, ó Deus, para fazer a tua vontade”. Essa é uma tradição bíblica, patrística, litúrgica e teológica. Assim o, por exemplo Orígenes († 253):

 

Consideremos o nosso verdadeiro sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Tendo assumido a natureza humana, ele estava o ano todo com o povo [...] ele entrou no santuário [...], depois de cumprir sua missão redentora, e permanece diante do Pai, para torná-lo propício ao gênero humano e interceder por todos os que nele creem.

Conhecendo esta propiciação que reconcilia os homens com o Pai, diz o apóstolo João: Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. [...]. Paulo lembra igualmente esta propiciação, ao falar de Cristo: Deus o destinou a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé (Rm 3,25). Por isso, o dia da expiação continua para nós até o fim do mundo. Tu, porém, [...] te aproximaste de Cristo, o verdadeiro sumo sacerdote que, com o seu sangue, tornou Deus propício para contigo e te reconciliou com o Pai[...] (cf. LH, OL, fII, Hb IV, TQ)[17].

 

 e São Fulgêncio de Ruspe († 533): 

 

Os sacrifícios das vítimas materiais, que a própria Santíssima Trindade [...] tinha ordenado que nossos antepassados lhe oferecessem, prefiguravam a agradabilíssima oferenda daquele sacrifício em que o Filho unigênito de Deus feito carne iria, misericordiosamente, oferecer-se por nós. É Cristo, com efeito, que, por si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa redenção; ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo [...]. Entretanto, só ele é o sacerdote, o sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na sua condição divina, ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo. Acredita, pois, firmemente e não duvides que o próprio Filho Unigênito de Deus, a Palavra que se fez carne, se ofereceu por nós como sacrifício e vítima agradável a Deus (cf. Ofício das Leituras, fVI, Hb V, TQ[18]).

 

EPICLESE

 

Poderia ser útil à nossa reflexão uma breve análise sinótica da parte epiclética das Coletas do IV Domingo da Quaresma (Laetare) e do III Domingo do Advento (Gaudete), recordando que entre esses domingos temos um paralelo temático, dado não só pela semelhança do que implora a igreja na sessão epiclética de ambas as Coletas, mas também pelo significativo apelo ao código ótico: a cor rosa.  

 

III Domingo do Advento (Gaudete)

 

[...] praeta, quaesumus, ut valeamus ad tantae salutis gaudia pervenire et ea votis sollemnibusalacri semper laetitia celebrare (concedei-nos chegar às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo nas solenidades [natalícias que se aproximam])[19]

 

IV Domingo da Quaresma (Laetare)

 

[...] presta, quaesumus, ut populus christianus prompta devotione et alacri fide ad ventura sollemnia valeat festinare (concedei ao povo cristão a capacidade de apressar-se na direção das solenidades [pascais] que se aproximam, com redobrada devoção e com fé operosa).

 

Em ambas encontramos uma dinâmica de movimento, uma espécie de peregrinação rumo ao Mistério único, Jesus Cristo, no seu processo kenótico catabático (de descida): Natal, e de glorificação (movimento anabático – de subida): Páscoa. Natal e Páscoa são consideradas “solenidades”, sinônimo de imponência e grandiosidade. O adjetivo alacer, que se pode traduzir como operoso, ativo, intenso, vivaz e alegre, está presente em ambas para qualificar tanto a alegria (Advento) quanto a fé (Quaresma). Outros paralelos temáticos podem nos vir do adjetivo promptus, que se pode traduzir como enérgico, corajoso, redobrado, que na Quaresma vem qualifica a devoção e no Advento pode ser comutado por alacer para dar qualidade ao substantivo “laetítia” (júbilo); e dos verbos pervenio (Advento – alcançar a meta; atingir um objetivo) e festino (Quaresma – lançar-se; acelerar-se); em ambos tem-se a ideia de um caminhar festivo, um correr vivendo um momento de grande alegria, de fato Lucas aplica o verbo festino substantivado para indicar a forma com que a Bem-aventurada Virgem Maria, vivendo festivamente o seu estado de gravidez, se colocou em caminho para cumprimentar Isabel pela alegria do ventre florescente: “Naqueles dias Maria levantou-se e partiu às pressas (cum festinatione)... (Lc 1,39).

O pedido é quádroplo: a graça de uma atitude que revele a alegria do povo cristão pelas festas pascais que se aproximam: a pressa; uma fé que seja operosa, ativa vivaz e alegre; uma devoção que seja enérgica, corajosa e redobrada e a alegria de celebrar o Mistério Pascal de Cristo.

Dom Jerônimo Pereira, osb

Monge Beneditino, Mosteiro de São Bento de Olinda

Presidente da ASLI

 

 

Para aprofundar: 

J. C. A. Ward«the Lenten Orations for the Fourth Week in the 2000 “Missale Romanum”», EL 122 (2008) 274-327.

F. M. ArocenaLas colectas del Misal romano. Domingos y solemnidades del Señor, CLV-Ed. Liturgiche, Roma 2021.

C. Urtasun, Las oraciones del Misal. Escuela de espiritualidad de la iglesia, Centre de Pastoral Litúrgica, Barcelona 1995.

 



[1] Sessório, também chamado de Palatium Sessorianum, era um edifício de origem desconhecida situado no extremo sudeste da Região V da cidade de Roma, com data de construção incerta.

[2] Cf. J. Kreps, «La rose d’or», Questions liturgiques et paroissiales 11 (1962) 71-104; M. Righetti, Manuale di storia della liturgia, 2, Ancora, Milano 1955, 133-134

[3] Cf. S. P. PaciStoria delle vesti liturgiche, Ancora, Milano 2008, 236-239 (Tr. Port. História das vestes litúrgicas: forma, imagem e funçãoLoyola, São Paulo 2021).

[4] Essa oração vem do Sacramentário Gelasianum Vetus 225, indicada para a Quarta dominica pro scrutinio II.

[5] Corpus Orationum, ed., Bertrand Coppieters ‘t Wallant (CCL 160-). Turnhout: Brepols 1992.

[6] Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum Ioannis Pauli PP. II cura recogitum, editio typica tertia emendata. Città del Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis 2008.

[7] Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum Ioannis Pauli PP. II cura recogitum, editio typica altera. Città del Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis 1975.

[8] Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum Ioannis Pauli PP. II cura recogitum, editio typica. Città del Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis 1970.

[9] Liber Sacramentorum Engolismensis: Manuscrit B.N, Lat 816, le Sacramentaire gélasien d’Angoulême, ed. Patrik Saint-Roch (CCL 159C). Turnhout: Brepols 1987.

[10] Liber Sacramentorum Gellonensis: textus, ed. A. Dumas (CCL 159) Brepols, Turnhout 1981.

[11] Liber Sacramentorum Augustodinensis, ed. Odilo Heiming (CCL 159B), Brepols, Turnhout 1984.

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