Estamos tendo a grata satisfação de ser presenteados com o “advento” do V volume de estudos da ASLI (Associação dos Liturgistas do Brasil), em parceria com a Paulus editora, intitulado, sugestivamente de “Atualização litúrgica”. Nesse V volume, bem volumoso, mais de 300 páginas, distribuídas em 10 capítulos, o leitor terá a oportunidade de saborear do ardor de jovens estudiosos diante da laboriosa tarefa de afrontar os desafios que se apresentam no panorama da Igreja nas nossas terras de Santa Cruz. Três grandes frontes serviram de guia de concentração: a pastoral, a música e o espaço litúrgico. Os recortes se faziam necessários para poder discernir melhor, a partir de um olho clínico, as perdas e os ganhos dos anos passados e transformar ambos em profecia para os anos vindouros.
Destinado a estudiosos, pesquisadores liturgistas, pastoralistas, pastores, os que estão em processo de formação e formadores e todo o povo de Deus que de algum modo se interessa do tema ligado à liturgia, a obra se abre com um nosso artigo – A Terceira Edição Típica do Missal Romano: Ritualidade e Realidade – pensado em vista da expectativa da Igreja no Brasil que espera ansiosamente a tradução dos textos para a celebração dos divinos mistérios. A “obra litúrgica” do papa Francisco, encontra amplo espaço de diálogo no artigo de Marcos Viera das Neves, intitulado “Encontro e presença nas ações litúrgicas: perspectivas do Vaticano II”, que constitui o segundo capítulo dessa obra e antecipou profeticamente os nn. 10-13 de Desiderio Desideravi.
No estudo do Pe. Rodrigo José Arnoso Santos, nosso Secretário Executivo, “A tarefa mistagógica da pastoral litúrgica”, a pastoral litúrgica é apresentada como uma “parteira” esperta, uma educadora, cuja função primeira é auxiliar “o povo de Deus, com Cristo, no Espírito a elevar seu culto ao Pai, através de um processo de educação ritual, para se bem vivenciar a ação litúrgica, como momento de atualização da história da salvação”. “O espaço litúrgico” é a epígrafe que o padre Thiago Faccini Paro escolheu para intitular o seu estudo, que pode ser resumido como uma schola vera onde, em poucas, mas acertadas e claras expressões, o leitor encontrará os elementos essenciais, para pensar espaços celebrativos que concorram para a liturgia e não concorram com a liturgia. A professora arquiteta e urbanista Ignez Camila Filipino da Silveira, aborda um tema extremamente urgente e atual: “A nobre simplicidade nos documentos da igreja e na reflexão de alguns autores”, o trabalho tem por fim a compreensão do tema e sua aplicação no espaço celebrativo de modo global (arquitetura, arte in genere: música, iconografia, paramentaria, ornamentação etc.).
O texto do Adenor Leonardo Terra – “O canto de entrada: considerações a partir da Instrução Geral do Missal Romano” – evidencia os princípios que norteiam a escolha desse específico canto para que corresponda melhor à sua função de “mistagogo”, abrindo a celebração, promovendo a união da Igreja reunida e, sobretudo, introduzindo “no mistério do tempo litúrgico ou da festa”, acompanhando a entrada do presidente da celebração com os diversos ministros necessários à ordem do culto (cf. IGMR 47). O texto apresentado pelo teólogo dos sacramentos Fr. Luis Felipe Marques, atual Vice-Presidente da ASLI, e pelo especialista em Música Litúrgica Pe. Jayder Oliveira dos Santos, intitulado “O ato penitencial no Missal Romano: conteúdo teológico, estrutura ritual e o canto”, dispensa toda a atenção à forma ritual do ato penitencial, caracterizado como um “rito de passagem”, simbólico e performativo porque une efetivamente realidades em sentido espacial, vertical e horizontalmente.
“Ponte entre as duas mesas: o canto de comunhão” é o título do estudo de Arnaldo Antonio de Souza Temochko, que apresenta a relação estrutural e estruturante entre a palavra proclamada na liturgia Verbi e os ritos sacramentais da liturgia eucharistica, arquitetada pelo canto de comunhão.
“Música e ‘temporalização’ ritual: o que a liturgia pode aprender com a dramaturgia” é o título do articuladíssimo estudo de Ângelo Cardita, que introduz no cenário brasileiro o tema das singularidades fenomenológicas que fundam a estreita relação entre liturgia, música e teatro. O texto de José Saulo Farias de Sousa: “As contribuições da CNBB na preparação aos sacramentos”, recorda o esforço sempre crescente da Conferência episcopal na promoção da vida litúrgica na Igreja da Terra de Santa Cruz, mesmo antes da renovação operada pelo Concílio Vaticano II. No texto se escutam os ecos, mais que pertinentes e atuais, de Desiderio Desideravi de papa Francisco.
O Atualização Litúrgica 5 “apareceu” um dia depois do 59º aniversário da promulgação da Sacrosanctum Concilium (04.12.1963) e isso é simbólico: esse volume prepara de forma magistral a grande celebração dos 60 anos da Constituição conciliar que sacudiu o pó que ao longo dos séculos tinha sufocado e ofuscado o esplendor da sagrada liturgia. É desejo nosso que a leitura das páginas desse livro reanime em nós todos o desejo de voltar à liturgia como cume e fonte da nossa vida cristã, “para que em tudo seja Deus glorificado” (1 Pd 4,11). Boa leitura.
Dom Jerônimo Pereira, OSB
Presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil
Estamos tendo a grata satisfação de ser presenteados com o “advento” do V volume de estudos da ASLI (Associação dos Liturgistas do Brasil), em parceria com a Paulus editora, intitulado, sugestivamente de “Atualização litúrgica”. Nesse V volume, bem volumoso, mais de 300 páginas, distribuídas em 10 capítulos, o leitor terá a oportunidade de saborear do ardor de jovens estudiosos diante da laboriosa tarefa de afrontar os desafios que se apresentam no panorama da Igreja nas nossas terras de Santa Cruz. Três grandes frontes serviram de guia de concentração: a pastoral, a música e o espaço litúrgico. Os recortes se faziam necessários para poder discernir melhor, a partir de um olho clínico, as perdas e os ganhos dos anos passados e transformar ambos em profecia para os anos vindouros.
Destinado a estudiosos, pesquisadores liturgistas, pastoralistas, pastores, os que estão em processo de formação e formadores e todo o povo de Deus que de algum modo se interessa do tema ligado à liturgia, a obra se abre com um nosso artigo – A Terceira Edição Típica do Missal Romano: Ritualidade e Realidade – pensado em vista da expectativa da Igreja no Brasil que espera ansiosamente a tradução dos textos para a celebração dos divinos mistérios. A “obra litúrgica” do papa Francisco, encontra amplo espaço de diálogo no artigo de Marcos Viera das Neves, intitulado “Encontro e presença nas ações litúrgicas: perspectivas do Vaticano II”, que constitui o segundo capítulo dessa obra e antecipou profeticamente os nn. 10-13 de Desiderio Desideravi.
No estudo do Pe. Rodrigo José Arnoso Santos, nosso Secretário Executivo, “A tarefa mistagógica da pastoral litúrgica”, a pastoral litúrgica é apresentada como uma “parteira” esperta, uma educadora, cuja função primeira é auxiliar “o povo de Deus, com Cristo, no Espírito a elevar seu culto ao Pai, através de um processo de educação ritual, para se bem vivenciar a ação litúrgica, como momento de atualização da história da salvação”. “O espaço litúrgico” é a epígrafe que o padre Thiago Faccini Paro escolheu para intitular o seu estudo, que pode ser resumido como uma schola vera onde, em poucas, mas acertadas e claras expressões, o leitor encontrará os elementos essenciais, para pensar espaços celebrativos que concorram para a liturgia e não concorram com a liturgia. A professora arquiteta e urbanista Ignez Camila Filipino da Silveira, aborda um tema extremamente urgente e atual: “A nobre simplicidade nos documentos da igreja e na reflexão de alguns autores”, o trabalho tem por fim a compreensão do tema e sua aplicação no espaço celebrativo de modo global (arquitetura, arte in genere: música, iconografia, paramentaria, ornamentação etc.).
O texto do Adenor Leonardo Terra – “O canto de entrada: considerações a partir da Instrução Geral do Missal Romano” – evidencia os princípios que norteiam a escolha desse específico canto para que corresponda melhor à sua função de “mistagogo”, abrindo a celebração, promovendo a união da Igreja reunida e, sobretudo, introduzindo “no mistério do tempo litúrgico ou da festa”, acompanhando a entrada do presidente da celebração com os diversos ministros necessários à ordem do culto (cf. IGMR 47). O texto apresentado pelo teólogo dos sacramentos Fr. Luis Felipe Marques, atual Vice-Presidente da ASLI, e pelo especialista em Música Litúrgica Pe. Jayder Oliveira dos Santos, intitulado “O ato penitencial no Missal Romano: conteúdo teológico, estrutura ritual e o canto”, dispensa toda a atenção à forma ritual do ato penitencial, caracterizado como um “rito de passagem”, simbólico e performativo porque une efetivamente realidades em sentido espacial, vertical e horizontalmente.
“Ponte entre as duas mesas: o canto de comunhão” é o título do estudo de Arnaldo Antonio de Souza Temochko, que apresenta a relação estrutural e estruturante entre a palavra proclamada na liturgia Verbi e os ritos sacramentais da liturgia eucharistica, arquitetada pelo canto de comunhão.
“Música e ‘temporalização’ ritual: o que a liturgia pode aprender com a dramaturgia” é o título do articuladíssimo estudo de Ângelo Cardita, que introduz no cenário brasileiro o tema das singularidades fenomenológicas que fundam a estreita relação entre liturgia, música e teatro. O texto de José Saulo Farias de Sousa: “As contribuições da CNBB na preparação aos sacramentos”, recorda o esforço sempre crescente da Conferência episcopal na promoção da vida litúrgica na Igreja da Terra de Santa Cruz, mesmo antes da renovação operada pelo Concílio Vaticano II. No texto se escutam os ecos, mais que pertinentes e atuais, de Desiderio Desideravi de papa Francisco.
O Atualização Litúrgica 5 “apareceu” um dia depois do 59º aniversário da promulgação da Sacrosanctum Concilium (04.12.1963) e isso é simbólico: esse volume prepara de forma magistral a grande celebração dos 60 anos da Constituição conciliar que sacudiu o pó que ao longo dos séculos tinha sufocado e ofuscado o esplendor da sagrada liturgia. É desejo nosso que a leitura das páginas desse livro reanime em nós todos o desejo de voltar à liturgia como cume e fonte da nossa vida cristã, “para que em tudo seja Deus glorificado” (1 Pd 4,11). Boa leitura.
Dom Jerônimo Pereira, OSB
Presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil