Crédito da foto - Editora Paulus
O CONTEXTO LITÚRGICO-SACRAMENTAL DA IGREJA EM SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A Editora Paulus deu início a uma nova coleção sobre liturgia: “Coleção Academia Litúrgica”. O título da primeira publicação é “O contexto litúrgico-sacramental da Igreja em sua evolução histórica” e o autor é o jesuíta pe. Washington Paranhos, doutor em teologia com especialização em Liturgia e sacramentária pela Universidade Pontifícia Salesiana em Roma, professor na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) e membro da Associação dos Liturgistas do Brasil.
O autor dedicou-se em fazer um olhar histórico-panorâmico, considerando a história da liturgia e da sacramentária. A história da liturgia e dos sacramentos está intimamente ligada ao contexto cultural. Desse modo, a obra contém um capítulo subdividido em três subtítulos: “as origens e o fundamento do dado celebrativo”; “o desenvolvimento e declínio da liturgia e sacramentária”; e, “continuidade e descontinuidade no âmbito litúrgico-sacramental”. “A capacidade da liturgia cristã de sobreviver e se reinventar por mais de dois mil anos pode ser atribuída à sua capacidade de adaptação, ou seja, de conservar a Tradição, buscando responder aos sinais dos tempos, como Jesus, que, sendo judeu e vivendo imerso nas próprias tradições culturais e religiosas, juntamente com os primeiros cristãos, levou consigo a própria identidade cultural, que terminou influenciando suas práticas litúrgicas” (PARANHOS, 2022, p. 13-14).
O método histórico de observância do desenvolvimento da liturgia e da sacramentária ajuda o leitor, seja no âmbito acadêmico como na dimensão das nossas comunidades eclesiais, a repensar a Tradição e preservar-se de afirmações ideológicas referentes ao “sempre foi feito assim”. Um trabalho com esse objetivo, em particular, redescobrindo os motivos das decisões tomadas com a reforma litúrgica e a movimentação cultural, supera leituras infundadas e superficiais, formações parciais e práticas que desfiguram a participação ativa. Ao conhecer melhor as razões, inclusive através da documentação histórica, podem-se interiorizar os princípios inspiradores e a sua inerente disciplina. Por fim, chama-nos a atenção a grande quantidade de referências bibliográficas. Há uma riqueza de fontes patrísticas e documentos eclesiais. Também, são muitos os autores citados e muitas são as notas explicativas. Estes aspectos valorizam a obra e cumpre o objetivo de lançar uma nova coleção destinada ao aspecto acadêmico do estudo litúrgico-sacramental. Os autores são de diversas partes do mundo, inclusive, sendo alguns bastante conhecidos nos diversos estudos feitos pelo Brasil.
A presidência da ASLI alegra-se com o autor do livro pela publicação, sobretudo, sendo ele um dos nossos associados. O nosso objetivo é valorizar os pesquisadores sérios no Brasil, incentivar a leitura da obra e favorecer uma mais adequada formação com o uso desta nova obra. Abaixo segue a introdução do autor, retirada da “degustação” proposta no site da Ed. Paulus.
INTRODUÇÃO
A liturgia é, sem sombra de dúvida, a realidade mais viva e a expressão mais eloquente da vida da Igreja. Por meio da liturgia, a Igreja enuncia sua identidade reconhecida, sua capacidade renovadora, sua expressão criadora. É por meio da liturgia e na liturgia que a Igreja faz a experiência do seu ser e do seu existir. Por isso mesmo, podemos dizer que a liturgia é a própria Igreja, em sua mais densa relação simbólica com Deus e com a sua identidade. A liturgia é, e continuará sendo, o símbolo mais rico da vida cristã, a forma mais original de que os crentes dispõem para falar da salvação que nos foi dada, a esperança que nos inunda.
O Vaticano II e a reforma litúrgica por ele iniciada têm sido os principais motivos de uma nova consciência litúrgica e eclesiológica, cuja consolidação se encontra em processo.
O rico panorama teológico, eclesiológico e pastoral e os diferentes “movimentos” e “correntes de pensamentos” litúrgicos pós-vaticano (dessacralização-secularização, socialização-politização, evangelização-catequização, adaptação-criatividade, simbolismo-festa, intimismo-experiência, ecumenismo-unidade, histórico-hermenêutica, pastoral-antropológica...) sem dúvida alguma contribuem para um melhore maior discernimento, uma ampla riqueza de sentido, das dimensões e exigências da celebração.
Sendo a liturgia, ao mesmo tempo, “humana e divina” (SC 2), é importante, em relação à sua compreensão, estudá-la, antes de tudo, na Palavra de Deus e na Tradição que essa Palavra transmite na sua integridade. É importante, ainda, um estudo histórico-genético das formas celebrativas, para compreender sua estrutura e seu significado e as eventuais transformações, degenerações ou enriquecimentos pelos quais passou no decorrer do tempo. Os textos bíblicos e eucológicos usados na liturgia são a manifestação mais característica da concepção que a Igreja tem a respeito da liturgia e do seu mistério, ou seja, de si mesma. Esses textos exprimem uma determinada visão teológica dos dons da salvação dos quais a Igreja é portadora, uma teologia litúrgica que é preciso fazer emergir.
Tudo isso deve conduzir à experiência de fé e à vida vivida em coerência com os mistérios dos quais participamos ativamente. A liturgia é uma realidade para ser redescoberta, celebrada e vivida na sua intensidade.
Fazer um estudo histórico da liturgia não consiste em enumerar dados, datas, nomes, documentos etc., mas em descobrir a experiência de um povo fiel que rezou, anunciou e celebrou o mistério de Cristo, em captar a expressividade de uma fé que se manifesta em gestos e palavras, e em acompanhar o processo de formação, aperfeiçoamento, fixação, renovação, inculturação, adaptação da celebração segundo a teologia, o conceito de liturgia e o mundo sociorreligioso-cultural circundante.
Há alguns anos, o mundo litúrgico era considerado como um todo misterioso e intocável, uma realidade fixa e inalterável por todas as épocas, reflexo evidente do mistério e da perenidade do próprio Deus. Essa concepção, que desconhece as bases antropológicas do culto cristão, foi justamente denominada de monofisismo litúrgico; com isso, buscava-se evidenciar que as mesmas tendências que ameaçaram o equilíbrio interno da cristologia (e da eclesiologia) permanecem atuando de maneira sempre nova na hora de compreender a liturgia.
Mas essa visão da liturgia emergiu e sobreviveu graças a um desconhecimento da história, ou também como um processo histórico. Porque todo processo histórico tem seu fundamento e sua razão. Concretamente, “a liturgia que celebramos, esse edifício que hoje habitamos, é o resultado de muitas colaborações humanas, em grande parte anônimas; é o fruto do trabalho (nem sempre correto) de muitas gerações cristãs, que deixaram sua marca na vida litúrgica”. Por isso, essa história marcada por mudanças e evolução, mais ou menos ativa, dependendo das circunstâncias da época, jamais poderá ser adequadamente interpretada senão na confluência e na interação com outros fatores. Dessa consciência vem o interesse e, mais importante ainda, a necessidade de situar cada época da liturgia no contexto mais amplo da vida da Igreja e na relação dialética com os acontecimentos políticos, sociais e culturais.
O conhecimento das grandes linhas da história é essencial para entender as estruturas celebrativas da liturgia atual. Além disso, o estudo crítico da história passada tem força de abertura para o futuro.
Por isso, este estudo buscou fazer uma retomada do caminho realizado até o momento na reflexão teológica. Partiu de um discurso histórico-teológico da evolução do culto cristão no Ocidente, visitando e colhendo informações do dado litúrgico-sacramental, das comunidades apostólicas aos nossos dias, para concentrar-se nas formas litúrgicas dos dias atuais – também no âmbito não católico – e, por fim, colocar em evidência o sentido da liturgia na transformação da vida da Igreja. Procurou fazer, evidentemente, uma hermenêutica da Tradição, bem como uma contextualização histórica com as marcas de continuidade e de descontinuidade na liturgia e na sacramentária. Em todo o percurso histórico realizado, consideraram-se também, com mais atenção e detalhes, as informações mais importantes sobre os sacramentos da iniciação cristã.
Link da publicação na Ed. Paulus: https://www.paulus.com.br/loja/o-contexto-liturgicosacramental-da-igreja-em-sua-evolucao-historica_p_6891.html
O CONTEXTO LITÚRGICO-SACRAMENTAL DA IGREJA EM SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A Editora Paulus deu início a uma nova coleção sobre liturgia: “Coleção Academia Litúrgica”. O título da primeira publicação é “O contexto litúrgico-sacramental da Igreja em sua evolução histórica” e o autor é o jesuíta pe. Washington Paranhos, doutor em teologia com especialização em Liturgia e sacramentária pela Universidade Pontifícia Salesiana em Roma, professor na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) e membro da Associação dos Liturgistas do Brasil.
O autor dedicou-se em fazer um olhar histórico-panorâmico, considerando a história da liturgia e da sacramentária. A história da liturgia e dos sacramentos está intimamente ligada ao contexto cultural. Desse modo, a obra contém um capítulo subdividido em três subtítulos: “as origens e o fundamento do dado celebrativo”; “o desenvolvimento e declínio da liturgia e sacramentária”; e, “continuidade e descontinuidade no âmbito litúrgico-sacramental”. “A capacidade da liturgia cristã de sobreviver e se reinventar por mais de dois mil anos pode ser atribuída à sua capacidade de adaptação, ou seja, de conservar a Tradição, buscando responder aos sinais dos tempos, como Jesus, que, sendo judeu e vivendo imerso nas próprias tradições culturais e religiosas, juntamente com os primeiros cristãos, levou consigo a própria identidade cultural, que terminou influenciando suas práticas litúrgicas” (PARANHOS, 2022, p. 13-14).
O método histórico de observância do desenvolvimento da liturgia e da sacramentária ajuda o leitor, seja no âmbito acadêmico como na dimensão das nossas comunidades eclesiais, a repensar a Tradição e preservar-se de afirmações ideológicas referentes ao “sempre foi feito assim”. Um trabalho com esse objetivo, em particular, redescobrindo os motivos das decisões tomadas com a reforma litúrgica e a movimentação cultural, supera leituras infundadas e superficiais, formações parciais e práticas que desfiguram a participação ativa. Ao conhecer melhor as razões, inclusive através da documentação histórica, podem-se interiorizar os princípios inspiradores e a sua inerente disciplina. Por fim, chama-nos a atenção a grande quantidade de referências bibliográficas. Há uma riqueza de fontes patrísticas e documentos eclesiais. Também, são muitos os autores citados e muitas são as notas explicativas. Estes aspectos valorizam a obra e cumpre o objetivo de lançar uma nova coleção destinada ao aspecto acadêmico do estudo litúrgico-sacramental. Os autores são de diversas partes do mundo, inclusive, sendo alguns bastante conhecidos nos diversos estudos feitos pelo Brasil.
A presidência da ASLI alegra-se com o autor do livro pela publicação, sobretudo, sendo ele um dos nossos associados. O nosso objetivo é valorizar os pesquisadores sérios no Brasil, incentivar a leitura da obra e favorecer uma mais adequada formação com o uso desta nova obra. Abaixo segue a introdução do autor, retirada da “degustação” proposta no site da Ed. Paulus.
INTRODUÇÃO
A liturgia é, sem sombra de dúvida, a realidade mais viva e a expressão mais eloquente da vida da Igreja. Por meio da liturgia, a Igreja enuncia sua identidade reconhecida, sua capacidade renovadora, sua expressão criadora. É por meio da liturgia e na liturgia que a Igreja faz a experiência do seu ser e do seu existir. Por isso mesmo, podemos dizer que a liturgia é a própria Igreja, em sua mais densa relação simbólica com Deus e com a sua identidade. A liturgia é, e continuará sendo, o símbolo mais rico da vida cristã, a forma mais original de que os crentes dispõem para falar da salvação que nos foi dada, a esperança que nos inunda.
O Vaticano II e a reforma litúrgica por ele iniciada têm sido os principais motivos de uma nova consciência litúrgica e eclesiológica, cuja consolidação se encontra em processo.
O rico panorama teológico, eclesiológico e pastoral e os diferentes “movimentos” e “correntes de pensamentos” litúrgicos pós-vaticano (dessacralização-secularização, socialização-politização, evangelização-catequização, adaptação-criatividade, simbolismo-festa, intimismo-experiência, ecumenismo-unidade, histórico-hermenêutica, pastoral-antropológica...) sem dúvida alguma contribuem para um melhore maior discernimento, uma ampla riqueza de sentido, das dimensões e exigências da celebração.
Sendo a liturgia, ao mesmo tempo, “humana e divina” (SC 2), é importante, em relação à sua compreensão, estudá-la, antes de tudo, na Palavra de Deus e na Tradição que essa Palavra transmite na sua integridade. É importante, ainda, um estudo histórico-genético das formas celebrativas, para compreender sua estrutura e seu significado e as eventuais transformações, degenerações ou enriquecimentos pelos quais passou no decorrer do tempo. Os textos bíblicos e eucológicos usados na liturgia são a manifestação mais característica da concepção que a Igreja tem a respeito da liturgia e do seu mistério, ou seja, de si mesma. Esses textos exprimem uma determinada visão teológica dos dons da salvação dos quais a Igreja é portadora, uma teologia litúrgica que é preciso fazer emergir.
Tudo isso deve conduzir à experiência de fé e à vida vivida em coerência com os mistérios dos quais participamos ativamente. A liturgia é uma realidade para ser redescoberta, celebrada e vivida na sua intensidade.
Fazer um estudo histórico da liturgia não consiste em enumerar dados, datas, nomes, documentos etc., mas em descobrir a experiência de um povo fiel que rezou, anunciou e celebrou o mistério de Cristo, em captar a expressividade de uma fé que se manifesta em gestos e palavras, e em acompanhar o processo de formação, aperfeiçoamento, fixação, renovação, inculturação, adaptação da celebração segundo a teologia, o conceito de liturgia e o mundo sociorreligioso-cultural circundante.
Há alguns anos, o mundo litúrgico era considerado como um todo misterioso e intocável, uma realidade fixa e inalterável por todas as épocas, reflexo evidente do mistério e da perenidade do próprio Deus. Essa concepção, que desconhece as bases antropológicas do culto cristão, foi justamente denominada de monofisismo litúrgico; com isso, buscava-se evidenciar que as mesmas tendências que ameaçaram o equilíbrio interno da cristologia (e da eclesiologia) permanecem atuando de maneira sempre nova na hora de compreender a liturgia.
Mas essa visão da liturgia emergiu e sobreviveu graças a um desconhecimento da história, ou também como um processo histórico. Porque todo processo histórico tem seu fundamento e sua razão. Concretamente, “a liturgia que celebramos, esse edifício que hoje habitamos, é o resultado de muitas colaborações humanas, em grande parte anônimas; é o fruto do trabalho (nem sempre correto) de muitas gerações cristãs, que deixaram sua marca na vida litúrgica”. Por isso, essa história marcada por mudanças e evolução, mais ou menos ativa, dependendo das circunstâncias da época, jamais poderá ser adequadamente interpretada senão na confluência e na interação com outros fatores. Dessa consciência vem o interesse e, mais importante ainda, a necessidade de situar cada época da liturgia no contexto mais amplo da vida da Igreja e na relação dialética com os acontecimentos políticos, sociais e culturais.
O conhecimento das grandes linhas da história é essencial para entender as estruturas celebrativas da liturgia atual. Além disso, o estudo crítico da história passada tem força de abertura para o futuro.
Por isso, este estudo buscou fazer uma retomada do caminho realizado até o momento na reflexão teológica. Partiu de um discurso histórico-teológico da evolução do culto cristão no Ocidente, visitando e colhendo informações do dado litúrgico-sacramental, das comunidades apostólicas aos nossos dias, para concentrar-se nas formas litúrgicas dos dias atuais – também no âmbito não católico – e, por fim, colocar em evidência o sentido da liturgia na transformação da vida da Igreja. Procurou fazer, evidentemente, uma hermenêutica da Tradição, bem como uma contextualização histórica com as marcas de continuidade e de descontinuidade na liturgia e na sacramentária. Em todo o percurso histórico realizado, consideraram-se também, com mais atenção e detalhes, as informações mais importantes sobre os sacramentos da iniciação cristã.
Link da publicação na Ed. Paulus: https://www.paulus.com.br/loja/o-contexto-liturgicosacramental-da-igreja-em-sua-evolucao-historica_p_6891.html
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